Quando era pequenina, era muito apegada a ti! A Cristina era toda ela mãe, e eu? Eu era, e sempre fui, toda pai!
Quando chegava da escola e alguma coisa queria pedir, daquele meu jeitinho meio inocente, mas com tantas intenções, quase em pezinho de lã, aproximava-me de ti, tu sentado ao microscópio, e fazia-te muitas festinhas e dava muitos beijinhos na careca! Tu, conhecendo-me tão bem, perguntavas logo o que eu queria!
Mesmo em criança, sempre fui um bocado "desbocada" - dizia tudo sem pensar... e mesmo quando pensava, acabava por dizer na mesma!
Fui crescendo, tendo em ti o meu herói... o meu exemplo! Afinal via-te lutar pelas causas nobres... via-te ser todos os valores mais dignos que pode haver... tu tentavas fazer prevalecer nos outros esses valores que começavam a tornar-se, completamente, inexistentes!
Mesmo quando sonhavas, e às vezes esses sonhos faziam-te levantar vôos demasiado altos com quedas iminentes, sempre te vi cair redondo no chão... mas sempre te vi levantar na hora de cabeça sempre erguida!
Sempre te vi dar a mão a quem precisava e a quem não precisava também... afinal tu acreditavas, sempre, na bondade dos outros, mesmo quando a bondade desses outros não passava de uma maldade disfarçada... e mesmo quando te avisam, tu preferias dar o benefício da duvida, pois a tua bondade não te deixava desacreditar! E sei, que muitos erros teus, foi por causa disso mesmo - por teres acreditado demais!
Vi-te ajudar a concretizar tantos sonhos - fizeste tanta gente feliz, davas tanto a tanta gente que eu continuava a crescer com a vontade de ser cada vez mais aquilo que tu eras... ser tudo aquilo que tu representavas!
Sempre foste um pai presente... preocupavas-te imenso com os nossos estudos, com o nosso futuro... Sempre presente, mesmo quando exageravas e sonhavas por nós! E eu, logo eu, que tenho muito da mãe, mas tenho tanto teu, irritava-me contigo e dizia- te que eu tinha os meus próprio sonhos e não admitia que tu ou ninguém sonhasse por mim!
Mesmo com os anos, mesmo após tantas discussões, mesmo depois de tantas palavras tão intempestivas trocadas entre nós - afinal somos tão iguais que acabamos por chocar - todas as lutas que a vida nos fez viver, essas foram feitas em conjunto... não era uma luta de um... era uma luta de todos!
E, mais uma vez assim foi, quando desta vez, ao invés de lutar pela nossa vida, lutavas, numa cama do hospital, pela tua própria vida! Quando te via dormir de forma serena, nos poucos minutos que tinha contigo, pedia-te desculpa por tantas palavras que um dia dissera, pedia-te para lutares e voltares para nós, e mesmo quando, friamente e cruelmente, nos tiraram todas as esperanças, eu saia daquela sala, tão cheia de dor e de tanta incerteza, com a certeza de ser filha de um Lutador, e mesmo carregando tanta tristeza no coração, abandonava a sala sempre com a esperança no reencontro do dia seguinte! E lembro-me, quando após tantos dias seguintes, o que todos davam como perdido, estava, finalmente, acordado! Olhaste para mim e disseste "Olá"!
A luta, essa, prometia durar... como ainda dura!
Como custava ver-te, completamente, desacreditado quando te vias numa cadeira de rodas, quando já não conseguias comer por ti, quando até as palavras - sim e logo tu um Homem tão bem falante e que fazia de tão sábias palavras a sua nobre luta - eram te tão difíceis de dizer!
Sempre que saía das Brancas, regressava a casa de coração partido, por te ver tão desacreditado, tão sem esperança, tão sem sonhos... tão tudo e ao mesmo tempo, tão nada! Mas, todos os dias, tu agarravas-te às nossas palavras, aos nossos incentivos, à nossa esperança, ao nosso acreditar...tu agarravas-te a tudo aquilo que nos temos e somos - tudo isso que me foi passado por ti - para mais uma vez ires à luta e não só saíres de mais uma provação de cabeça erguida, mas pelo teu próprio pé!
Mesmo com as tuas limitações, mesmo não sendo o mesmo que eras, continuas a ser um marido grato, um pai preocupado, e um avô muito presente!
Hoje, quando olho para ti, e apesar de todas as quezílias que houveram, ou possam ainda haver, tudo aquilo que eu sinto é orgulho - orgulho por ser filha do Homem que tu és!
Parabéns meu querido Pai!
Mesmo com os anos, mesmo após tantas discussões, mesmo depois de tantas palavras tão intempestivas trocadas entre nós - afinal somos tão iguais que acabamos por chocar - todas as lutas que a vida nos fez viver, essas foram feitas em conjunto... não era uma luta de um... era uma luta de todos!
E, mais uma vez assim foi, quando desta vez, ao invés de lutar pela nossa vida, lutavas, numa cama do hospital, pela tua própria vida! Quando te via dormir de forma serena, nos poucos minutos que tinha contigo, pedia-te desculpa por tantas palavras que um dia dissera, pedia-te para lutares e voltares para nós, e mesmo quando, friamente e cruelmente, nos tiraram todas as esperanças, eu saia daquela sala, tão cheia de dor e de tanta incerteza, com a certeza de ser filha de um Lutador, e mesmo carregando tanta tristeza no coração, abandonava a sala sempre com a esperança no reencontro do dia seguinte! E lembro-me, quando após tantos dias seguintes, o que todos davam como perdido, estava, finalmente, acordado! Olhaste para mim e disseste "Olá"!
A luta, essa, prometia durar... como ainda dura!
Como custava ver-te, completamente, desacreditado quando te vias numa cadeira de rodas, quando já não conseguias comer por ti, quando até as palavras - sim e logo tu um Homem tão bem falante e que fazia de tão sábias palavras a sua nobre luta - eram te tão difíceis de dizer!
Sempre que saía das Brancas, regressava a casa de coração partido, por te ver tão desacreditado, tão sem esperança, tão sem sonhos... tão tudo e ao mesmo tempo, tão nada! Mas, todos os dias, tu agarravas-te às nossas palavras, aos nossos incentivos, à nossa esperança, ao nosso acreditar...tu agarravas-te a tudo aquilo que nos temos e somos - tudo isso que me foi passado por ti - para mais uma vez ires à luta e não só saíres de mais uma provação de cabeça erguida, mas pelo teu próprio pé!
Mesmo com as tuas limitações, mesmo não sendo o mesmo que eras, continuas a ser um marido grato, um pai preocupado, e um avô muito presente!
Hoje, quando olho para ti, e apesar de todas as quezílias que houveram, ou possam ainda haver, tudo aquilo que eu sinto é orgulho - orgulho por ser filha do Homem que tu és!
Parabéns meu querido Pai!

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