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Amor – eu não amo pouco! Amo muito!

Ouço algumas vezes que não sei o que é o verdadeiro amor por, um dia, ter escolhido não ter filhos. Algumas mulheres dizem mesmo que esse amor incondicional é uma dádiva exclusiva, unicamente para quem é mãe!
Há ainda aquelas pessoas que me dizem que a vida tornou-me numa pessoa tão fria, tão fria que chego a ser incapaz de amar!
Dizem-me tanto, mas sabem tão pouco!
Nunca fui mulher de um amor só…acho pouco para não dizer que acho que é o mesmo que nada! Sempre fui mulher de grandes amores – não de um amor só, mas de tantos amores!
Não preciso ser mãe para amar incondicionalmente! A vida encarregou-se de colocar no meu colo, no meu abraço pessoas maravilhosas a quem chamo sobrinhos e afilhada… sejam eles de sangue, sejam eles de coração… mas são eles que me fazem todos os dias querer hoje ser melhor que ontem, é por eles que, mesmo sem vontade, vou à luta todos os dias! É por eles que aguento duzentos penosos quilómetros, sempre na esperança de um dia poder abraçar todos os dias, de poder estar perto e presente dia-a-dia!
Não preciso ser mãe para amar incondicionalmente… minha mãe é o meu amor maior! Só ela me entende quando já todos desistiram de o fazer, pois ela conhece o meu pior como sabe bem o que é o meu melhor! Ela tem as palavras que, em momentos de suplicio e desesperadamente, preciso de ouvir… só ela consegue dar aquele colinho que tantas vezes ainda preciso! Só de saber que ela existe é um sossego para tão inquieto coração! Todos os dias, a minha mãe é sinónimo de amor… por amar os outros como ama os seus!
Amo a minha família e por ela dou o que tenho e o que não tenho! Mesmo apesar de todas as distâncias e de todas as quezílias, se for necessário, por eles vou ao céu e desço bem fundo, até ao inferno!
Mesmo quando tinha o coração fechado para um outro amor, há onze anos a vida surpreendeu-me com um novo amor… um amor que me fez redescobrir tanta coisa bonita, um amor que me reensinou a viver, um amor sempre presente, nos meus maus e bons momentos! Um amor que está sempre presente, mesmo quando estou tão ausente! E foi por esse grande amor que quando ele teve que tomar decisões difíceis na sua vida, eu tomei-as com ele – não seria uma luta de um só! Essa seria, e foi, uma luta do dois!
Amo os meus amigos, aquelas pessoas, que, com muito orgulho, chamo de meus anjos-da-guarda, por muitas vezes, terem a vida completamente virada do avesso e ainda terem uma palavra de conforto para ao outro dar, ou por estenderem a mão e manterem-na estendida, mesmo sem um pedido de ajuda!
O meu trabalho… como amo o meu trabalho! Sentir-me bem no sitio que estou, a trabalhar com quem trabalho, a fazer o que gosto de fazer! Muitas vezes (para não dizer quase sempre) é no meu trabalho que muitas lágrimas, quase que por magia, se transformam no sorriso mais sincero e mais puro!
E amo a vida… amo-a, mesmo depois de tantos infortúnios, mesmo após tantas derrotas! Afinal, foi a própria vida que me deu essa dádiva de ter tanto amor para dar, mesmo quando não tive, ou não tenho, o amor que gostaria de ter!
Sinto me tão rica por amar tanto… porque haveria de querer um amor só?!?


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