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Carta Aberta à Minha Irmã

Desde bem pequeninas, sempre fomos muito amigas uma da outra: tu irmã mais velha, sempre muito protectora e muito amiga, e eu irmã mais nova, sempre muito traquinas a dar te enormes dores de cabeça!
Mesmo tão diferentes uma da outra - tu sempre foras a calma, e eu a mais intempestiva tempestade - sempre estivemos uma ao lado da outra, para tudo na vida. Quantas maluquices e macaquices não fazias só para que eu parasse de chorar sempre que estávamos de férias no Reguengo! Já para não falar de tudo o que deixavas de fazer, só para brincares comigo!
E daquela vez que se não fosse por ti, por estares sempre comigo, eu hoje já não estaria aqui... naquele dia que estávamos as duas sozinhas na piscina da quinta e eu tive um ataque epiléptico - tu, só é unicamente tu, salvaste-me a vida!! Éramos duas jovens e eu já tão grata por te ter na minha!
Continuámos a crescer, a criar a nossa individualidade própria, mas continuávamos sempre muito presentes na vida de uma e da outra! Afinal, mal chegava a casa, era a ti a quem tudo contava e tu eras aquela que tudo ouvia!
Porém, conforme íamos criando os nossos amigos próprios, fomo-nos afastando uma da outra...tu já não tinhas tanta paciência para me aturar e a minha forma de ser não se coadunava minimamente com a tua nova forma de estar!
Continuávamos a estar uma ao lado da outra mas já não era o mesmo - éramos irmãs aos olhos dos outros, mas  duas completas estranhas, aos nossos olhos!
Houve tantos momentos que simplesmente invertemos os papéis...eu passei a ser irmã velha, por querer te proteger por muitas vezes te sentir completamente desprotegida!
Eu tinha só 17 anos e tu deixavas me cansada!
As inúmeras decisões que acabámos por tomar ao longo dos anos foram contribuindo para que a distância entre nós fosse ainda maior... habituei-me, com muita amargura e tanta tristeza, a ligar para amigos sempre que me acontecia algo - não eras de todo o meu primeiro pensamento, assim como eu há muito deixára de ser o teu!
Durante muitos anos (demasiados) a única coisa que nos continuava a unir eram os meus queridos sobrinhos - as coisas mais lindas que me deste nesta vida!
Por eles, e por serem o que são hoje, todos os ressentimentos e mágoas passadas, ficavam meio que adormecidas sempre na esperança que ficassem e fossem, para todo o sempre, esquecidas!
Mas a vida está constantemente a nos surpreender, e quando já nada o fazia prever, tu revelas a verdadeira Mulher que poucos conhecem em ti mas que revela aquilo que é o teu verdadeiro Ser - hoje aquele teu brilho, há muito apagado, voltou a brilhar!
Hoje tu ris e sorris... hoje tu falas e voltaste a ouvir...  irradias calma e serenidade...e ao mesmo tempo voltaste a ser aquela Mulher forte que não deixa que nada, mas principalmente ninguém, a deite abaixo!
Eu de ti só posso sentir orgulho, e finalmente posso voltar a acreditar na esperança de voltarmos a ser irmãs amigas como éramos em criança!

Muitos parabéns minha querida irmã

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