Avançar para o conteúdo principal

Querido Pai Natal

Querido Pai Natal

Já lá vão uns anos, uns bons anos mesmo, que te mandei uma cartinha pela última vez!! Lembro-me de te escrever, mesmo quando me diziam que era o menino Jesus que trazia as prendinhas, a dizer que era uma linda menina e que me portava sempre bem, mesmo quando assim não o era. Lembro-me de fazer uma lista não muito grande de todos os presentes que queria encontrar no meu sapatinho. Não era muito exigente e não te fazia listas intermináveis de presentes, E tu presenteavas-me sempre com os meus pedidos. Lembro-me de acabar sempre as minhas cartas com um pedido de ajuda por todas as crianças que passavam fome e muita miséria... Pedia-te sempre para as maravilhares com a tua magia e encanto e que as brindasses com comidinha, roupinha quente, muitos brinquedos e muita felicidade e paz!!
Sabes bem o quanto delirava por viver, sentir esta época. Desde o fazer da árvore, ir ao musgo, fazer o presépio, preparar toda a doçaria típica da época, juntar a família, brincar...
 Ahhh como eu me sentia tão cheia de... calor humano, amor, alegria!!!
Fui crescendo,  e também envelhecendo, e mesmo já mulher sempre que a tua época chegava, eu voltava a sentir todo o entusiasmo, felicidade, alegria como se fosse uma eterna criança... e esta sensação era vivida e sentida ano após ano... Natal após Natal...
... mas infelizmente, há momentos que não têm nem hora nem data marcada, e bastou um Natal, para a alegria de outrora dar lugar a uma profunda tristeza onde os risos e gargalhadas de outras consoadas transformaram-se nas mais tristes lágrimas...
Um Natal... dois... três... aliás já perdi a conta de quantos
Natais fiz a árvore sem apetecer fazer, festejei sem apetecer festejar, chorei quando antes sorria...
Querido Pai Natal, hoje tantos anos passados, senti a necessidade de voltar a sentir a tua magia. Preciso de voltar a sentir a alegria, a paz, o conforto propício da época. Preciso voltar a fazer a árvore de Natal entoando os lindos cânticos natalícios, preparar uma mesa farta e bonita, estar rodeada de família e acima de tudo sentir muito amor e muita paz!!
Aquilo que te pedia sempre para dares aos outros, hoje peço-te que não mos dês, mas que os partilhes comigo!
Por isso hoje, como mulher peço-te que me voltes a conceder o meu Natal de criança!!!!



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Eu e as minhas decisões

Sempre fui mulher de tomar as minhas próprias decisões, mas, e acima de tudo, sempre arquei, e arco, com as consequências das mesmas, tendo elas sido boas ou até mesmo más! Desde bem cedo, sempre fui muito decidida no que queria para a vida - mesmo quando a vida teimava em me testar e me dar todas as provas possíveis, sempre fui em frente com as minhas decisões.  Quando optei vir trabalhar para longe de casa, não hesitei nem um pouco no momento de tomar essa decisão - afinal era uma jovem tão inexperiente mas com tantas ideias e tantos outros sonhos! Fiz as malas quase na hora e embarquei numa enorme aventura! Hoje quase catorze anos passados não me arrependo nada dessa minha decisão, mesmo quando me deparo que estou numa cidade sem praticamente ninguém - há momentos que são desesperantes por querer uma cara amiga, uma voz aconchegante e tudo o que temos (eu o Luís) é o silêncio!  Às vezes chega a ser uma dor insuportável de querermos estar com os nossos, abraça-los, senti-los...

Silêncio Ensurdecedor

Chegamos a uma certa altura na nossa vida em que muitas coisas deixam de fazer sentido, ou porque deixamos de ter tanta paciência para certas e determinadas atitudes ou porque chegamos aquela fase do "Que se lixe"! Quantas vezes medimos as palavras, as atitudes para sermos o chamado politicamente correcto?! Já para não falar de quantas vezes nos remetemos ao silêncio, algumas vezes disfarçado de burrice, só para não causar situações inconvenientemente embaraçosas... E todas aquelas vezes que respiramos fundo e viramos as costas só para evitar discussões e atitudes mais impulsivas onde alguém acaba sempre por sair magoado... Quantas vezes temos que ser socialmente cínicos só porque temos determinados olhares postos em nós e umas mentes que chegam a ser diabólicas prontas a nos julgar... Mas para quê?? Para quê tentar agradar a quem não merece, de todo, qualquer tipo de agrado? Para quê ser politicamente correcto para quem o errado é que faz sentido?! Perdemos tanto tempo...

A MINHA DOR

Lágrimas que caem... E hoje teimam em não parar... Estou tão saturada... Por me sentir tão frustrada... Por não conseguir esta vida de merda mudar! Tiraram me tudo... E fiquei sem nada... E sem me perceberem... Ainda sou condenada! Sempre fui boa filha, irmã, tia, amiga... Sempre todos estiveram em primeiro lugar... No meu pensamento e nas minhas acções... Mesmo que eu me tivesse que prejudicar! E sempre me prejudiquei... Por carinho e por amor... E hoje só consigo sentir... Um enorme vazio e enorme dor!